6.16.2011

Crio

Impossível esquecer teu toque, teu gosto, teu rosto

Não há como fechar os olhos e não lembrar

Agora tudo é sem brilho, é fosco

Agora existe um vazio, que causa mal estar

Já estivemos brincando com nossos lábios

Já criamos tempo, quando ele não havia

Desestabilizamos os instantes, ficamos em fios

Imaturos, vivemos intensos, enquanto o resto sofria

A Grande Criação não interessava

Religião, relação, reação, nada importava

Éramos nós dois e apenas isso

O restante era desprezível, nada mais que um processo

Voltaremos a ter tamanho sentimento

Ou vulgarizaremos cada instante do próximo momento

Ou esqueceremos os toques e os gostos

E ficaremos no tédio, no ócio, sem gestos

6.10.2011

Ama

Quando amo alguém sou assim, desleixado

Nunca amando penso na dor ou no sofrer

Apenas amo apaixonado

Apenas amo sem esquecer

Amando sem sentido, meio jogado

Vou sentindo esse amor, tão esperado

Vou vivendo intenso, ao seu lado

Não querendo encontrar o motivo, querendo ser amado

Esqueci de te ver, perdão

Caí no mesmo erro, culpa da tentação

Seus erros, escondi, culpa do amor

Mas as lembranças ficaram, causando essa dor

Aqui estou sem me arrepender

Mudando meu rumo, sem te esquecer

Criando o tempo à minha volta

Mas lembre-se sempre, sentirei sua falta.

1.21.2011

Finiti.

Nem sempre acaba. Às vezes, raras vezes, ficam as marcas, que são irremovíveis, tornando assim inacabável. Nem sempre acaba. Recomeça, começa, tem meio, mas o que era pra ser fim significa apenas uma pausa dramática num palco sem platéia, sem público o espetáculo terminaria; então existe uma pausa, um momento para respirar, ver os erros e os acertos, esperar o público retornar e assim começar, recomeçar a peça.

Acreditar num reinicio não é loucura, é a tão famigerada esperança. Não posso acreditar que seja apenas um sopro de vida, dez, vinte ou míseros cem anos. Não posso, não quero e nem vou acreditar nas palavras deterministas de que acaba aqui, agora ou depois, nesse mundo material e surreal, não pode ser real, a morte não é um fim.

Finiti. Finado. Acabado. Finalizado. Odeio essas palavras. Diga-me no que crer, e eu vos direi no que creio. Eu creio num inacabável senso de humor dos deuses, ou de Deus. Um tão grandioso humor que é capaz de fazer-nos acreditar nas nossas falsas lágrimas, enquanto na verdade elas são falsas, devido ao que virá, o novo inicio. Não há término, e nós, sem saber como ver o futuro e tão presos ao humor divino, choramos o que acabou de acontecer, choramos devido à pausa dramática.

Mas não me agrada não chorar. Não me agrada esse humor sarcástico que parece um ácido que me corrói as vísceras. Não me agrada chorar por algo efêmero, mas inegavelmente mortal; a morte. Gritar sem voz, ver a escuridão. Lamber o chão. Sinto-me assim por dentro e por fora ao me deparar com a dor de alguém que acredita no finiti da morte.

Nem sempre acaba. Deixa marcas sólidas e irremovíveis. Deixa em mim, em ti, nela e naquela. Eu quero acreditar nisso, antes que louco fique com a morte de minha amada. Antes que louco fique com a morte de meu amado. Antes que apenas louco fique com a morte, com a morte fique louco e como um louco fique morto.

1.15.2011

A favor da ação-voluntária.

Todos de Fortaleza, essa é uma convocação urgente!! Pessoas precisam de ajuda, seres humanos desabrigados e jogados ao leú, com perdas imensas e irreparáveis. Vamos colaborar, mesmo que com pouco, mas com um pouco que para quem perdeu absolutamente tudo será mais que o suficiente.
Aqui vai o site da verdes-mares, onde tem o endereço dos postos de coleta de alimentos não perecíveis, ou produtos de higiene pessoal, ou água, já que o preço da água foi aumentado graças aos comerciantes, mais uma prova do quanto precisamos rever nossos valores, e DINHEIRO pode até nos proporcionar muito, mas pode prejudicar mais ainda.
http://verdesmares.globo.com/v3/canais/noticias.asp?codigo=309631&modulo=178

Façam sua parte, esqueçam rixas ou quaisquer impecilhos... E vamos lá.

12.31.2010

2011.

Mais um ano tá chegando ao fim. Mais um ano cheio de conquistas e derrotas, lágrimas e risos. Desejo a todos que encontrem os erros que cometeram nesse ano e sejam capazes de não cometê-los novamente, mas que não deixem de errar e acertar, pois só assim passaremos a aprender e saber mais e mais o real motivo de estarmos vivos.
Que em 2011 nossa memória seja reativada, que não esqueçamos de nada do que passamos e que o passado nos impulsione a sermos livres e felizes. Desejo felicidade, vida e amor, paz e saúde e muita energia boa.
Quem 2011 seja um ano sem mentiras, sem tolices e intolerancias, que seja um ano de Luz. Eu desejo que o amor pelo próximo predomine e que a violencia torne-se algo nulo, inexistente.
Desejar é o primeiro passo para conquistar. Por isso desejo que TODOS passem a conquistar, e que assim o mundo se torne melhor.
Obrigado a todos que estiveram ao meu lado em 2010, que no próximo ano estejamos ainda mais juntos.

12.10.2010

Não por mnha boca.

Não olhei em teus olhos por nada. Queria te ver, queria ler tua mente. O sangue não fazia o trajeto normal através do meu corpo, ele percorria minhas veias às vezes devagar, bem devagar, outras, rápido o suficiente para me matar. Não consegui te ler, não eu não sabia o porquê.

As palavras não saíram da minha boca, com brutalidades você tentou arrancá-las. O coração doía, estava cheio de falhas. Foi um pedido mudo, velado. Estava ao mesmo tempo vivo e estava acabado. As palavras vieram e foram, lenta e calmamente, pronunciadas não por minha boca, mas por minha alma.

Nos meus olhos admiração, paixão. Nos teus, confusão. O começo às vezes torna-se o fim e era isso que eu via: a morte dos sentimentos, enfim. Foi distração de minha parte não enxergar o que estava escrito entre nossos corpos. À distância, a frieza; a falta de poesia, a tristeza. A glória da ansiedade não era vista em nossos olhos, mas eu simplesmente gritava por ilusão.

Foi um erro, foi um acerto. As palavras e o olhar pareciam pesar em torno de ti. Desculpas, mentiras não ajudariam, muito menos a verdade. O silêncio inseguro foi a solução para aquela realidade. A sensação foi de angustia e esperança; coitado. Ele não queria, eu não via e assim estava acabado.

12.03.2010

Amores, bebidas e deuses.

Sei bem que foi o vinho que derramara em minha blusa branca que lhe fez me notar. Eu era invisível aos teus olhos antes desse acontecimento tão simples e tolo. Minha blusa suja de vinho e teus lábios sujos de desejo. “Parece sangue” foram as palavras que saíram de sua boca. Eu poderia ter rido, poderia ter continuado aquela sua tentativa tola de conversa.

O que fez você derrubar a droga daquele vinho em mim? O destino? Não acredito nele, é apenas uma forma que o ser humano encontrou de sentir-se ainda mais impotente, fraco. Deve ter sido Dionísio, não Afrodite. E se eu tivesse prosseguido com a conversa talvez eu acordasse em sua cama sem ter seu reconhecimento.

Desviei o olhar e murmurei algo como “imbecil”, saindo fingindo irritação. Fora o medo que me obrigara àquela atitude. Não foi nenhum deus tolo. A culpa de todo esse caos é do maldito vinho e da maldita blusa branca, o libido desperto e o desejo latente. Eu não te quis ao meu lado e bastou.

Sentado em um lugar afastado eu comecei a observá-lo a distancia. Agora sim eu te queria ao meu lado, desejava seus lábios nos meus, seu corpo me tocando. Ironia, eu queria você por não tê-lo. Agora a quem deveria culpar? Amores, bebidas ou deuses? Só a mim mesmo. Eu já tinha culpa em demasia para ter que carregar mais essa. A nova culpa da solidão.

Então resolvi culpar o destino e apenas a ele. Fechei os olhos e respirei. Mudei o fluxo dos meus pensamentos para o vinho e a camisa. Tentei mentir para mim mesmo e sai da festa, sem tê-lo ao meu lado, com o gosto de mentiras nos lábios e uma camisa suja.